quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Grupo Terrorista ETA teve FIM ... e sua história


Mundo: ETA anuncia fim definitivo da luta armada após 50 anos
O grupo separatista basco ETA anunciou o fim definitivo da luta armada que provocou a morte de 850 pessoas nas últimas cinco décadas.

O grupo "Pátria Basca e Liberdade" prometeu abandonar as atividades armadas em um vídeo e um comunicado escrito revelados pelo jornal basco "Gara".

Em janeiro, o ETA já havia anunciado uma trégua "geral e verificável". Mas o anúncio foi recebido com ceticismo na ocasião. Isto porque, militantes bascos já haviam desrespeitado outras tréguas no passado.

O ETA luta pela criação de um Estado independente na região conhecida como "país Basco", entre a Espanha e França.
O grupo foi criado em 1959 durante a ditadura franquista na Espanha, que baniu o idioma basco.

Em 50 anos de luta armada, 850 pessoas foram mortas em ações terroristas reivindicadas pelo ETA. Apesar de contar com um braço político, o Batasuna, o grupo é considerado uma organização terrorista por Estados Unidos e União Europeia. Mas acabou enfraquecido por operações policiais na Espanha e França, que terminaram com a prisão dos principais líderes nos últimos meses.



















































HISTÓRIA DO GRUPO ETA
O berço do ETA A O berço do ETA O berço do organização terrorista do País Basco, que acabou de anunciar um  cessar-fogo definitivo, nasceu na década de 60, quando jovens europeus escolhiam o 
caminho das armas para  transformar seus sonhos  políticos em realidade  


“Queríamos assaltar o céu.  Éramos jovens utópicos e   pensávamos que a história  estava do nosso lado. 

Acreditávamos profundamente  no nosso papel de vanguarda  revolucionária capaz de conscientizar as massas   trabalhadoras e transformar os   rumos da história. E a história,   definitivamente, nos deu com a  porta na cara.”


Adriana dá um gole em seu cappuccino sentada à mesa de um café em Roma e olha para o fundo da praça como se tentasse enxergar uma paisagem inexistente. Quem observa  sua fala pausada e suave, seus gestos lentos, que utiliza para sublinhar determinadas  frases, sua postura informal, mas elegante, e seus olhos claros, não pode imaginar que  está diante de uma mulher que militou na base das Brigadas Vermelhas desde seu início.

Sem se identificar com seu nome real, ela passou mais de uma década nas celas das  prisões italianas condenada por sua militância, até voltar a circular pelas ruas em  liberdade na condição de “dissociada”.

Adriana faz parte de uma geração de jovens europeus que optaram pela luta armada  como meio de atingir seus objetivos políticos. Uma geração cuja história começa na  Alemanha, em fevereiro de 1965, quando 2 mil estudantes protestaram em Berlim  Ocidental contra os bombardeios da força aérea americana no Vietnã. Naquele dia, um  grupo de 500 manifestantes desgarrou-se da marcha para apedrejar a fachada da
embaixada dos Estados Unidos.


Em 2 de junho de 1967, a situação recrudesceu quando um policial à paisana matou a  tiros um integrante da União de Estudantes Socialistas durante um protesto contra a   visita do xá do Irã ao país. No ano seguinte, o principal dirigente dessa organização,  Rudi Dutschke, foi ferido em um atentado por um radical de extrema direita. Os  membros da União de Estudantes saíram às ruas e pedras voaram novamente,
acompanhadas agora por coquetéis molotov. Dessas fileiras da União sairia a maioria  dos fundadores da RAF (Rotte Armee Fraktion – Fração do Exército Vermelho, em  alemão), grupo de militantes que optou por continuar a luta pela via armada.

A primeira grande ação da RAF  foi o incêndio de uma loja de  departamentos em Frankfurt,  em 2 de abril de 1968,   justificado pelos autores como  um “ato de oposição  extraparlamentar à ordem  política e social da República  Federal da Alemanha”. Dois  dias depois, a polícia prendeu os  responsáveis, entre eles Andreas  Baader e Gudrun Ensslin. A  socióloga Ulrike Meinhof  defendeu o ataque na revista de esquerda Konkret e ingressou nas fileiras do grupo. A  partir daí, a RAF ficou popularmente conhecida como “Baader-Meinhof”. Em 1970,   passou em definitivo para a clandestinidade. Para arrecadar fundos para a organização,  seus integrantes assaltaram bancos e realizaram atentados à bomba contra imóveis do
governo americano, escritórios das linhas aéreas israelenses, residências de juízes  alemães e propriedades governamentais.

Em junho de 1972, a polícia prendeu os membros mais importantes do grupo: todos  foram condenados a penas que variaram de 12 anos a prisão perpétua. Ulrike Meinhof  suicidou-se em sua cela em 1976; Baader e Ensslin fizeram o mesmo na penitenciária de   Stammheim em 1977, após o fracasso de uma ofensiva, conhecida como “outono   alemão”, visando a liberação de ambos. Na operação, a RAF executou o presidente da   central patronal alemã, Hanns Martin Schleyer e seqüestrou um avião da Lufthansa
junto com um comando da Frente Popular para a Libertação da Palestina. A ação   terminou mal e os sete militantes foram eliminados no aeroporto de Mogadiscio, na  Somália, por unidades antiterroristas alemãs.

Pouco tempo após o “outono alemão”, uma nova geração assumiu o lugar dos   fundadores presos, mas, no início dos anos 80, integrantes da velha-guarda começaram  a dar sinais de desilusão e pediram o fim das atividades armadas. A RAF continuou  ativa durante a década de 80 e parte da de 90, anunciando em1998 seu encerramento  definitivo.

Antes de se suicidar, Andreas Baader previu que as idéias dos fundadores da RAF  seriam internacionalizadas. Seguramente naquele momento ele já tinha notícias da  existência das Brigadas Vermelhas, organização marxista-leninista fundada pelo   sociólogo Renato Curcio e pelo estudante de engenharia Alberto Franceschini nas  cidades industriais do norte da Itália. Com laços muito mais estreitos com o movimento  operário que qualquer outra organização armada européia, as Brigadas Vermelhas
concentraram-se, durante seus primeiros três anos, na prática da “propaganda armada” e  no ataque aos “inimigos da classe operária” em Milão, o que faziam atirando nos  joelhos dos empresários mais intransigentes com as reivindicações trabalhistas. Em  1974, fizeram sua aparição em Gênova e Turim e iniciaram operações de seqüestro,  prática da qual se tornariam mestres.


Andreas Baader e Ulrike Meinhof, líderes da RAF na  Alemanha

Um rapto histórico

O principal golpe contra o  “coração do Estado” italiano   veio em 16 de março de 1978,  com o seqüestro de Aldo Moro,   líder da Democracia Cristã, em   pleno centro de Roma. A ação  deixou um saldo de cinco
seguranças mortos e colocou o  país em um estado de tensão  total durante 55 dias, até que o  corpo do político foi encontrado  crivado de balas dentro do  porta-malas de um carro. As  Brigadas Vermelhas haviam   pedido a libertação de uma lista  de militantes presos, mas o governo, apoiado por todo o espectro parlamentar, negara-se  a negociar.

No começo dos anos 80, o grupo tinha cerca de 500 integrantes presos. Nesse período, a polícia começou a convencer antigos militantes a colaborar em troca da diminuição de  suas penas. Foi a época dos “arrependidos”, que forneceram informações preciosas às  forças da repressão, e dos “dissociados”, como Adriana, que decidiram deixar a vida  clandestina sem denunciar seus antigos companheiros.

Apesar de muitos acharem que as Brigadas Vermelhas haviam encerrado suas  atividades nos anos 80, ações reivindicadas pela organização em 1994 e 2002  reavivaram o fantasma da luta armada na Itália. Alguns especialistas julgam que tais  ações são o “resíduo do resíduo” da organização, enquanto outros, mais ressabiados,  prevêem novos surtos do “vírus armado” em médio prazo.



O DIA EM QUE OS BASCOS PEGARAM EM ARMAS


Desde o final do século XIX, o  Partido Nacionalista Basco  lutava pela independência do  país em relação à Espanha. Em  1959, porém, um setor da  juventude do partido,  descontente com seu  imobilismo, decidiu formar um  grupo que passou a se  identificar por meio da sigla  ETA (Euskadi Ta Askatasuna –
Pátria Basca e Liberdade, em  euskera, a língua ancestral dos  bascos) e partiu para a luta  nacionalista via armas.


Nove anos depois, em 7 de  junho de 1968, o motorista da  Guarda Civil espanhola José  Pardines Arcay inspecionava  um carro com dois jovens   bascos em uma estrada em Villabona quando descobriu que a documentação do  automóvel estava irregular. Um dos jovens, Txabi Etxebarrieta, disparou à queimaroupa contra o oficial e fugiu. Apenas três horas depois, o atirador caiu mortalmente  ferido em um controle da Guarda Civil em Venta Haundi. Pardines tornou-se a primeira  vítima do ETA e Etxebarrieta, seu primeiro mártir.

Com a morte do militante, as fileiras da organização clandestina aumentaram de  maneira extraordinária. Aproveitando o momento, os militantes do ETA iniciaram uma  série de assassinatos de autoridades ligadas ao ditador Francisco Franco. A ação que  demonstrou definitivamente o poder de fogo da organização foi realizada em 20 de  dezembro de 1973: o assassinato do então primeiro-ministro da Espanha, Luis Carrero
Blanco, o homem que deveria substituir Franco no comando do país. A operação  significou um verdadeiro terremoto nas fundações de uma ditadura que começava a ruir.

Logo após a ação, o ETA dividiu-se em um braço militar, que defendia a continuação da  luta armada, e outro político-militar, que começava a pensar em uma solução política  para a questão basca. Com a morte de Franco em 1975, a Espanha iniciou a transição  rumo à democracia. A vertente político-militar participava cada vez mais de campanhas  de reivindicações populares e, em setembro de 1982, anunciou sua dissolução. A  vertente militar, por sua vez, intensificou as ações contra o exército espanhol e as forças
de segurança no final dos anos 70. Em 1980, bateram seu recorde de assassinatos: 11  em apenas 20 dias.
Membros do ETA reivindicam atentado contra um   palácio na cidade francesa de Moncla, em entrevista
coletiva de 23 de fevereiro de 1980Xavier Vinader é jornalista com longa trajetória de investigação das organizações  armadas. Ex-presidente da organização Repórteres Sem Fronteiras, é um dos maiores
especialistas na história do ETA e autor de Operación Lobo - Memorias de un infiltrado   en ETA
         


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