sexta-feira, 19 de outubro de 2012

homenagens a paquistanesa Malala Yousuzfai, de 14 anos.


O post de hoje é dedicado a uma menina/mulher de coragem: a paquistanesa Malala Yousuzfai, de 14 anos. Ela ficou mundialmente conhecida na semana passada, quando foi vítima de uma tentativa de homicídio por parte de um atirador talibã, que disparou contra sua cabeça na van em que ela voltava da escola com colegas. O motivo: Malala defende o direito das meninas muçulmanas de frequentar a escola, co
m o objetivo de ter uma vida melhor.

A valente paquistanesa, na verdade, não é uma desconhecida no mundo árabe e muçulmano. Há três anos ela mantém uma campanha pelo fim dos ataques talibãs a escolas femininas em países como Paquistão e Afeganistão.

Escrevia um blog para a BBC sobre sua rotina e foi tema até de documentário. Chegou a receber um “Prêmio da Paz” concedido aos jovens pelo governo paquistanês – o mesmo que, de certa forma, contribuiu para o que lhe aconteceu.

O pesadelo de Malala começou em 2009, quando a sharia (lei islâmica) passou a ter valor de lei no Vale do Swat, onde ela reside com a família – esta foi uma concessão do governo paquistanês para que os talibãs aceitassem um acordo de cessar-fogo na região.

A partir de fevereiro daquele ano, as meninas foram proibidas de receber instrução e ir à escola. Ela já era conhecida por seu ativismo, e teve medo. Sonhava com helicópteros e milicianos. Homens a perseguiam na rua. Mas Malala continuou. “Eu não me importo de sentar no chão da escola. Tudo o que eu quero é ter educação. E eu não tenho medo de ninguém”, dizia.

A sua determinação e coragem, obviamente, irritaram a facção terrorista fundamentalista que ainda sobrevive em vários vilarejos afegãos, principalmente os próximos da fronteira com o Paquistão – há fortes indícios de que o próprio governo paquistanês, que agora prometer caçar o atirador e seus comparsas, faça vistas grossas aos criminosos.

Hoje, foi anunciado que Malala irá ser tratada num dos melhores hospitais da Inglaterra. Enquanto isso, dezenas, talvez até milhares, saíram às ruas para protestar contra a covardia dos fundamentalistas – vale lembrar que Malala é uma adolescente, de certa forma uma criança, e ainda assim não foi poupada, tudo em nome de um pensamento retrógrado e covarde.

Um editor da revista norte-americana Slate resumiu bem a revolução de Malala: 
“Claro que vão tentar matá-la. Uma adolescente a falar no direito das mulheres à educação é a coisa mais assustadora no mundo para os talibãs. Ela não pertence a uma ONG estrangeira. Ela é muito mais perigosa do que isso: é uma local, defensora do progresso da educação e do esclarecimento. Se pessoas como ela se multiplicarem, os talibãs não têm futuro"

Apesar do episódio revoltante, sua luta determinada, sua coragem e sua inocência dão um recado sobre a beleza e a importância de se lutar pelo que se quer. Mostra a coragem cada vez maior de mulheres em defender suas prerrogativas, embora religiosos de vários matizes tentem impedi-las de ter os mesmos direitos que eles, homens, possuem.

Malala passa o recado de que há mulheres corajosas em vários lugares do mundo, nos piores lugares, que não irão desistir, embora sejam vários os argumentos que tentam racionalizar o preconceito e instrumentalizar os seus direitos – sejam em questão que envolvam educação, direitos sexuais e reprodutivos, trabalho ou cultura.

Que Malala viva para levar adiante este sonho e realizar este direito inalienável das mulheres de viverem suas vidas com autonomia, sem interferências de quaisquer ordens, principalmente as religiosas. E que inspire outras Malalas que estão por aí a mostrarem seu rosto. Juntas, serão mais temidas do que os covardes que hoje tentam intimidá-las.

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