domingo, 17 de agosto de 2014

Contos e histórias reais, tanto faz, todos mexem com a psique




 Caros leitores, amo histórias e mitologia, sempre amei contos de fadas e reinos encantados. Desde criança parava para ouvir e sentir, as sensações que provocam uma boa estória. Lembro-me da mãe da Maura e Rosa, em Nova Olimpia, sentávamos ao seu redor para ouvir, contos e mais contos.

A imaginação voava e na minha mente, tinha tudo pronto e acabado. As cenas vinham e iam como elas sempre existiram. Ela tinha uma facilidade de contar e envolver crianças, a este mundo mágico, que a gente, pedia para nunca se acabasse.

Hoje, percebo que as pessoas que fundaram Nova Olímpia tinham tanta cultura, que na época, nunca imaginei que houvessem, só saindo do local, da relação dos amigos e vivendo outros rumos, que percebo, a sabedoria desta gente.

OLÍMPIA - DEUSES DO OLÍMPICO - CONSIDENCIA OU NÃO, OS NOMES SE INTERLIGAM.  

Bom vamos, a mais uma conto mitológico, que ouvi do meu professor de Literatura:

Eros e Psiquê – o amor eterno

“A esta donzela suplicavam todos, e debaixo de rosto humano adoravam a majestade de tão grande deusa; quando de amanhã se levantava, todos ofereciam sacrifícios e manjares, como lhe sacrificavam à deusa Afrodite”

Psiquê, a beleza desmedida



Lucio Apuleio escreveu as “Metamorfoses” ou na tradução corrente “o asno de ouro” e entre suas histórias ele narra uma das mais lindas, o mito de Eros (Culpido) e Psiquê, descreve com detalhes o destino da jovem mortal, cuja imensa beleza transpôs a da própria Afrodite, a Deusa do Amor.

Um rei teve três lindas filhas, de belezas inacreditáveis, sendo a mais jovem a mais impactante, de tão bela os pretendentes apenas a contemplava, sem ter coragem de desposá-la. Deu-se que sua beleza foi cantada como se uma nova Afrodite tivesse nascido, só que agora jovem e ainda mais bela. Os templos da Deusa foram esvaziados, pois a jovem era vista como a nova deusa do amor.

Irrita com tal desfeita, Afrodite saí do mar e chama seu filho, Eros, um garoto alado de péssimo costume, corruptor de jovens e provocador de escândalos. A mãe ordena ao filho que procure a jovem que provoca tamanha afronta a ela, que lhe faça se apaixonar pela mais horrenda das criaturas.

O pai casara as duas primeiras filhas, mas temeroso que os deuses o punissem pela última filha manda consultar o Oráculo de Apolo em Mileto. A resposta é fulminante: A jovem deveria ser conduzida ao alto de um rochedo e lá um monstro viria desposá-la.

Diante da resposta do oráculo, sem delongas o rei manda que se cumpra o destino da jovem, vesti-a com a manta fúnebre e ordena que lhe levem ao mais alto do rochedo, que o monstro virá buscar sua noiva. Porém, Eros, quando viu Psiquê não consegue cumprir as ordens da mãe, terrivelmente apaixonado pede ao vento Zéfiro que a leve ao seu palácio. O que assim se faz.

Eros e Psiquê – o amor que não tem rosto



A jovem acorda num jardim de uma beleza luxuriante, diante de um palácio de sonhos, com receio, mas diante de tanta beleza, obra digna dos deuses, Psiquê entra no palácio e percebe que está sozinha, mas vozes se comunicam com ela, advinham-lhe os desejos, sem que ela precise pedir, tudo lhe vem às mãos.  Ao cair da noite Eros, sem se deixar ver, faz de Psiquê sua mulher.
Solitariamente, Psiquê, passa a habitar aquele lindo palácio, as vozes fazem-lhe companhia, conversando com ela para aplacar sua solidão, durante a noite o esposo secreto vem lhe satisfazer os desejos, cada vez mais apaixonados. Para quem estava destinada a casar com um monstro, ela se sentia num sonho.

Passado um tempo, entre a solidão e o amor noturno, Psiquê ouviu de uma das vozes que as suas irmãs iriam ao rochedo chorar sua morte. Psiquê desejou muito vê-las, mas o esposo temendo o pior pediu-lhe que fizesse ouvidos moucos, não desse ouvido às lamúrias das irmãs.  Com muito jeito e entre carícias e prazeres, Psiquê convence ao amante que lhe deixe trazer ao palácio as irmãs, pois se sentia só e saudosa da família.

Eros acaba cedendo, porém, expressamente lhe recomenda não revelar nada sobre ele, nem ela mesma sabia que se tratava de um deus, mais ainda jamais concordar, caso suas irmãs pedissem em ver-lhe o rosto. Psiquê assim procede e  a tristeza das irmãs transforma-se em alegria, ao ver que Psiquê morava num palácio e era feliz.

Passada a alegria as outras irmã começaram a confabular sobre quem seria o misterioso marido de Psiquê, ela apenas revela que era um belo e rico rapaz, mas para conter mais curiosidade ela dá ouro e presente às irmãs. Durante a noite mais uma vez o marido alerta para que mantenha segredo, sem procurar nunca ver seu rosto, mais ainda que ela estava grávida, se ela mantivesse o pacto o filho seria um Deus, porém se quebrasse a jura, nunca mais o “veria” e o filho seria um mortal.

A inveja fatal



“serpente enroscada em mil anéis, com as fauces túrgidas de peçonha, a boca larga como um abismo”.

Uma nova visita, mas agora tomadas pela inveja, as irmãs pressionam Psiquê a dar mais detalhes sobre seu marido, ela se esquiva, mas acaba se contradizendo ao dizer que ele era de meia-idade e um rico comerciante, também revela a gravidez, as irmãs fingindo felicidade, conseguem convencer Psiquê que o marido não quer se mostrar porque deve ser um monstro, uma serpente, como dissera o oráculo.

Psiquê convencida pelas irmãs se arma com um punhal e secretamente leva uma lamparina para o quarto. As irmãs se comprometem a ajudá-la, porém ao ir para o quarto as duas fogem do palácio. Psiquê tem mais uma noite de prazer, espera o marido dormir, pega o punhal e acende a lamparina, aproxima-a do rosto de Eros, ela fica cega de amor, a estonteante beleza dele a surpreende, arrependida e tomada de imenso amor passa a beijar o esposo, este acorda assustado, a lamparina caí no seu ombro ferindo-o. Percebendo o fato, ele a amaldiçoa e ferido vai embora, expulsando Psiquê do palácio, prometendo vingar suas irmãs.

O Banimento de Psiquê



“Quantas vezes não te admoestei acerca do perigo iminente, quantas vezes não te repreendi delicadamente. Tuas ilustres conselheiras serão castigadas em breve, por suas pérfidas lições; quanto a ti, teu castigo será minha ausência”.

Desesperada, Psiquê passa a vagar pelos campos, bate à porta de uma irmã e mente dizendo que saiu de casa pois seu esposo se apaixonou por ela, sem nem pestanejar a irmã vai direto ao rochedo e achando que Zéfiro irá levá-la ao palácio se atira, se despedaçando. Psiquê faz a mesma coisa com a segunda irmã. Então sem destino vai procurando por seu marido pela Grécia.

Enquanto isto, Eros ferido mortalmente, procura sua mãe que terrivelmente irritada o amaldiçoa mais ainda, que ele era apenas um devasso, que agora se apaixona por uma meninota que desafiara o pode
r de sua mãe. Promete como vingança que terá outro filho para substituí-lo além de despojá-lo de suas flechas mágicas, que dará a um escravo. Mais ainda, que perseguirá até matar Psiquê, que ela não terá o filho da gravidez.

Afrodite parte para vingança e chama outras deusas mães, Demeter e Hera para auxiliá-la, estas se afastam, temendo Eros. Então vai diretamente a Zeus, que lhe concede que Hermes localize a fugitiva. Psiquê resolve se entregar a Afrodite, porém, uma de suas escravas a acha, levando-a presa ao palácio.

A deusa mãe furiosa, tortura terrivelmente a nora indesejada, destrata-a, arranca-lhe os cabelos, mas resolve que a deixará viver se ela cumprir quatro tarefas, cada uma pior que a outra.

As provações de Psiquê


“Sou mesmo uma tola, disse de si para si. Trago comigo a beleza divina e até agora não peguei um pouquinho para mim, a fim de conquistar meu lindíssimo amante. Assim dizendo, abriu a caixinha”.

A primeira tarefa seria separar todos os grãos misturados de lentinha, grãos-de-bico, trigo, cevada de uma grande quantidade que a deusa põe a sua frente, em apenas uma noite. Chorando desesperada, Psiquê se deita sem consolo, mas uma formiguinha pergunta qual motivo do desespero, ela conta sua história. A formiguinha convoca um batalhão de formiguinhas e separa delicadamente cada tipo de grão. Ao amanhecer, Afrodite possessa acusa que Eros a ajudou.

Passa a segunda tarefa, muito difícil de perigosa, quer fios de ouro da lã de uma raça de ovelhas ferozes, jamais alguém conseguiria chegar perto. A deusa a leva ao local que as ovelhas pastam, lá abandona a jovem. Ela concluiu que fora trazida ali para morrer estraçalhada pelas ovelhas. Eis que aparece um caniço que ao ver o desespero dela conta-lhe que as ovelhas são ferozes devido ao calor do sol, que esperasse escondida o calor baixar que as ovelhas iriam descansar deixando preso nas árvores seus fios de ouro. Ela assim o fez, mais uma vez Afrodite amaldiçoa o filho achando que ele ajudar a esposa.

A terceira tarefa era trazer água da fonte em que nascem os rios do inferno Cocito e Estige. Esta fonte localizava-se no alto de um penhasco, e por ambos os lados era protegida por dois dragões que não permitiam qualquer aproximação. Psiquê fica ao pé do penhasco, sem nem saber por onde subir, quanto mais passar pelos dragões. Sobrevoando o local, a águia de Zeus vê Psiquê e vai ajudá-la, desviando dos dragões colhe a água no vaso que Afrodite dera a nora. Afrodite não culpa Eros, acusa que Psiquê usou de magia e bruxaria para atingir o objetivo.

A quarta e última tarefa, Afrodite dá a missão a Psiquê que ela vá ao Hades e peça uma pequena caixa para Perséfone que contem a beleza imortal. Psiquê se deu por vencida, escalou uma alta torre para se jogar no precipício, a torre, porém começa a falar-lhe, dizendo que ela tem como ir e voltar ao inferno (Hades) desde que siga rigorosamente suas instruções. Ela deveria dois óbolos, em cada mão um bolo de mel e cevada. Os óbolos seriam para pagar a passagem do barqueiro Caronte de ida e volta. Os bolos para amansarem o cão Cérbero. Além disto, ela não poderia se desviar do caminho, ela seria admoestada por um velho coxo e seu burro manco, para pegar lenha que caíra, não deveria dar-lhe ouvidos. Depois na Barca de Caronte uma mão pedirá sua ajuda para sair das águas, deve recusar, pois deveria ignorar a piedade ilícita. E o terceiro já do outro lado do Aqueronte umas velhas tecedeiras pedirão ajuda na costura, ela deve ir em frente, pois o objetivo da armadilha de Afrodite é que a nora perca o bolo e acabe devorada por Cérbero.

Ao chegar ao palácio de Perséfone ela a convidará para comer um lauto jantar, não se sente à mesa, aceite apenas pão preto e coma no chão, por fim pegue a caixinha e a traga de volta sem jamais abri-la. Fielmente Psiquê cumpriu seus conselhos, passou por todas as provas e retornou triunfante, porém ao sair do Inferno com a caixinha ela meditou: A beleza imortal está dentro, vou usá-la para reconquistar meu marido. Ao abri-la, assim como na caixa de Pandora, não é exatamente o que prometia ser, um sono profundo tomou conta da jovem.

O amor eterno


“Cumpre aprisionar-lhe o temperamento lascivo da meninice nos laços do himeneu. Ele escolheu uma donzela e roubou-lhe a virgindade. Que ele a possua, que ela o conserve para sempre, que ele goze de seu amor e tenha Psiqué em seus braços por toda a eternidade”.

Naquele instante, Eros já curado da ferida no ombro foge do palácio e acha a esposa adormecida, com muito cuidado fecha a caixinha, prendendo o sono dentro dela. Porém resolve ir ao pai dos deuses para pedir por seu casamento. Zeus reúne os deuses em assembléia e expõe o caso de Eros, aconselhando que decidam pelo enlace dos dois, que seja eterno e inquebrantável. A jovem não seria rival de Afrodite, continuando a mesma a ser a Deusa do Amor. Aceita a recomendação, Psiquê é levada ao Olimpo, lá come a ambrosia e o mel, passando a imortal e a viver com os deuses com seu amor eterno, Eros, deles nasce uma filha, Volúpia.


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