domingo, 5 de fevereiro de 2017

100 anos de nascimento do genial Luiz-Philippe Pereira Leite, escritor, historiador ...

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Luis-Philippe Pereira Leite
Biografia
Luis-Philippe Pereira Leite nasceu em Cuiabá, no dia 12 de dezembro de 1916. Filho de João Pereira Leite e de Jovita Valladares Pereira Leite, descendeu de família de estirpe, com raízes na região de Cáceres, visto que seu avô fora proprietário da Fazenda Jacobina, berço de grandes personalidades da História de Mato Grosso. Seus irmãos foram Hermínia e José Venâncio, este último formado em Medicina no Rio de Janeiro e, mais tarde, professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-SP.
Depois dos estudos primário e secundário, realizados em sua terra natal, seguiu para o Rio de Janeiro, onde pretendia cursar a Escola Militar. Deixou Cuiabá aos 4 de julho de 1934, descendo o rio Cuiabá, de lancha, até Corumbá, de onde embarcou para Bauru-SP sob os trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. De lá, reembarcou para São Paulo, ainda sob os trilhos da ferrovia Companhia Paulista, chegando ao Rio de Janeiro em julho de 1934. Foi residir no bairro de Botafogo, em casa da família de Mário Motta, amigo de seu pai e que lhe acompanhara durante toda a viagem.
Depois de algum tempo, resolveu se mudar para um pensionato, também em Botafogo, de propriedade de Naly Amarante Peixoto de Azevedo, filha de Corsino Amarante Peixoto de Azevedo, onde residiu até final do ano de 1935. Depois, mudou-se para a famosa Pensão Zurich, também em Botafogo, onde permameceu até 1937. No ano de 1938 até 1941, hospedou-se no Hotel Bahia, de onde saiu, no último citado ano, para voltar a Cuiabá. O sonho de se tornar militar foi aos poucos sendo abandonado, optando para cursar Direito na Faculdade de Niterói, onde permaneceu por 5 longos anos. Enquanto estudava, resolveu trabalhar no Ministério da Justiça como extranumerário mensalista, nomeação que se deveu a Filinto Müller, então Chefe de Polícia na capital federal, Rio de Janeiro. Seu grande pendor religioso foi sedimentado na convivência fraterna com o primeiro Arcebispo de Cuiabá, D. Francisco de Aquino Corrêa, que o aproximou dos jesuítas, com quem passou a conviver, ainda no Rio de Janeiro.
Em seu retorno a Cuiabá, em março de 1941, foi nomeado, a 27 de março, Oficial de Gabinete do Secretário Geral João Ponce de Arruda, tendo também ocupado o cargo de Procurador Fiscal do Estado, em substituição a José Barros do Vale.
Sua inscrição na Seccional da OAB-MT ocorreu no ano de sua chegada a Cuiabá, tendo obtido o nº 105. Sua aproximação com a entidade se deveu, fundamentalmente, à estreita convivência que mantinha com Mário Corrêa da Costa, Frederico Vaz de Figueiredo, Generoso Ponce de Arruda, todos integrantes do Conselho da OAB, naquele período, organismo que integrou durante as gestões de 1941-1943, junto à Comissão de Sindicância, sendo que, entre 1943 e 1991, ocupou o cargo de Tesoureiro.
Seu antigo sonho de integrar o Exército foi-lhe proporcionado no ano 1942, quando ingressou nas fileiras do 16º Batalhão de Caçadores (hoje 44º BIM), esperançoso de poder servir as fileiras brasileiras na 2ª Guerra Mundial. Chegou a 2º Tenente em 1944, estágio em que permaneceu até o ano seguinte, quando cursou o NPOR, em seguida.
Membro da Academia Mato-Grossense de Letras foi recepcionado por D. Francisco de Aquino Corrêa. Sócio e Presidente de Honra do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, instituição que presidiu por vinte anos.
Em 1945, foi nomeado pelo Interventor Júlio Müller, ao lado de Benedito Vaz de Figueiredo, Estevão Corrêa e António de Arruda, para elaborar um projeto de Constituição para o Estado de Mato Grosso. Após este trabalho, Luis-Philippe foi convidado a assumir a Secretaria de Justiça, no lugar de Amarílio Novis. Declinou do honroso convite para se manter nas funções de Procurador Fiscal.
Deputado Constituinte em 1946, colaborou de forma inequívoca na elaboração da Carta Constitucional de Mato Grosso de 1947, ao lado de José Manuel Fontalillas Fragelli, Sebastião de Oliveira, Lenine de Campos Póvoas, Valdir dos Santos Pereira, Italívio Coelho, Penn de Morais Gomes e outros expressivos nomes.
Foi nomeado, em outubro de 1947, para o cargo de Procurador Geral do Estado, no governo Arnaldo Estevão de Figueiredo, tomando assento no Tribunal de Justiça estadual. Na década de 1950, sua visão sofreu avaria e ele ficou cego, o que o fez afastar lentamente dos cargos que ocupava. Assumiu o Cartório do 2º Ofício, que pertencera a seu pai, falecido em 1959. Mesmo com problema na visão, Luis-Philippe conduziu, com rigor e maestria, o Cartório do 2º Ofício, onde permanecia o dia todo, assinando papéis e determinando o andamento daquele organismo.
Faleceu em Ribeirão Preto-SP, no dia 4 de fevereiro de 1999. Seu corpo transladado para Cuiabá, onde foi enterrado com todas as honras

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